Arquivo da categoria ‘Como surgiram as UPIs’

UPI Alimiro - MG

Invalid Image: Visita_ao_Museu_dos_brinquedos.jpg

Fundação: 14/12/1970

Alimiro - atividadesrecreativas - Alimiro - atividadesrecreativas

Havia em Belo Horizonte, na década de 60, o Centro Espírita Divino Amigo, que mantinha a chamada Campanha do Quilo, através da qual beneficiava certo número de famílias, em estado de miserabilidade; mantinha ainda uma pequena escola Grande parte das despesas dessa escola era custeada por uma senhora rica e sem herdeiros, que freqüentava o Centro - era Durvalina Rosa Pereira Matos.
Em 1966, ao desencarnar, esta fez o Centro Espírita seu herdeiro - entre outras instituições.

O número de beneficiários da Campanha crescia sempre. A tal ponto que, sendo ela dinamizada pelo comandante Hélio Coelho de Oliveira, funcionário da CAPEMI naquela Capital, este decidiu pedir a ajuda da CAPEMI, através do LAR FABIANO DE CRISTO.
Houve acordo entre as partes assinaram um convênio.
A primeira distribuição foi feita no próprio centro, em 14/12/67, após visitacão e triagem executadas com ajuda de Ailton Varela da Costa, funcionário do LAR. Por sugestão dos pioneiros da campanha do Quilo da cidade, foi dado à nova unidade o nome de Durvalina.

A segunda distribuição já se deu num velho casarão que o LAR adquiriu à R. Cristo-Rei, No.111, na Vila S. Vicente de Paulo. Posteriormente foram também comprados 3 lotes de terreno vizinhos, o que possibilitou construir uma sede nova, tendo havido aproveitamento das instalações existentes e em uso, que foram remodeladas, em 1969.

Porém esta sede da UPI do LFC foi desapropriada em 1976, em favor do DER/MG. E a unidade ficaria sem poder funcionar, não fosse haver recebido em doação, na mesma época, um imóvel de propriedade do Sr. Mário Pelizari, no Bairro dos Milionários, na mesma Belo Horizonte. Este senhor viria a falecer, em Ivrea-Itália, em 19/10/77, o que não impediu a efetivação da entrega do imóvel ao LAR, em breve tempo.

Em 1978, aquela UPI de 3a. faixa mudou-se para seu novo endereço, continuando seu amparo a crianças carentes, junto às respectivas famílias, mas acabou recebendo outro nome; ela é agora a UPI Alimiro. Esta mudança foi decidida em reunião da Diretoria Executiva fabianista, em 13/06/80, a fim de cumprir promessa feita aos familiares do doador.

A primeira Diretoria desta UPI foi constituída por Hélio Coelho de Oliveira - Dir Geral, João Jobim Medeiros - Secretário, Sérgio Figueiras Campos- Tesoureiro. O primeiro Supervisor foi Randor Barbosa; mas quando da inauguração da sede nova, quem ocupava esta função era Leonice Theodoro.


Visita das crianças ao Museu dos Brinquedos.

Razão da escolha do nome:

A terra de origem de Mário Pellizari foi a Itália, onde ele viveu algum tempo. Casado em 1930, na ocasião da 2a. Grande Guerra teve que combater como guerrilheiro; usou então o codinome Alimiro, pelo qual se tornou conhecido em sua cidade natal - Lecco, onde foi considerado herói. Ao terminar o conflito, retornou ao lar, onde sua esposa se negou a recebê-lo. Em consequência da separação, ele veio morar no Brasil, onde residiu, desde então, completamente só. Trabalhando com afinco, conseguiu amealhar recursos para comprar vários lotes de terreno, contíguos, no Bairro dos Milionários, em Belo Horizonte. Ele era projetista. Como tal, idealizou um prédio, que passou a construir.

Em seu coração, destinava-o a abrigar crianças desamparadas, oriundas de famílias pobres.
A obra já ia adiantada, quando, repentinamente, o Sr. Mário se viu adoentado e descobriu que lhe restava pouco tempo de vida. Assim, ficou na contingência de dar outro uso aos recursos até então reservados à construção.

Paralizada a obra, ele buscou insistentemente a uma entidade filantrópica ou religiosa à qual pudesse confiar seu término, através de doação. Fez contato com diversas. Nenhuma encontrou, porém, que lhe desse a certeza de que aquele seu patrimônio seria mesmo usado para cercar de amor muitas crianças carentes. E, sem isso, o seu coração não ficaria sossegado… Na ocasião, veio a notar uma kombi que levava e trazia diariamente, em horários regulares, bandos de pequeninos de aparência sadia, que sempre cantavam e acenavam, risonhos. Raciocinou: uma obra que tornava as crianças tão felizes, só poderia ser abençoada por Deus. Anotou o endereço da sede do Fabiano de Cristo, que estava escrito na viatura. Compareceu a ele, sendo encaminhado à UPI de Belo Horizonte— a UPI Durvalina.

Foi até lá, onde passou diversas horas conversando e observando, e contou algo sobre si mesmo. Então fez a doação daquela sua propriedade à fabianista.
Pouco depois, retornava à Itália onde veio a desencarnar. Seus filhos formalizaram a entrega do imóvel ao LFC e, na ocasião, pediram que fosse dado à Unidade de Promoção Integral o “nome de guerra” do pai: Alimiro.


Apresentação dos adolescentes do DCCE no grupo fanfarra durante o desfile cívico de 7 de setembro.

6 comentários »

UPI Virgínia Smith - CE

O LAR FABIANO de CRISTO apoiava, em Fortaleza (CE), no humilde bairro de Vila Manoel Sátiro, o Lar Antônio de Pádua, e mantinha ainda na cidade a Unidade de Promoção Integral-UPI Maria Alice (3ª. faixa) funcionando desde o Natal de 1968. Mas do lado oposto, havia muitas famílias vivendo em grande miserabilidade e sem socorro algum. Então, em 18/02/72, a Diretoria fabianista deliberou criar uma nova UPI nos moldes da 3ª. faixa, para funcionar junto ao Lar Antônio de Pádua, à Rua Py, 752.

A Diretoria deste cedeu por empréstimo, provisoriamente, uma parte de suas instalações, onde foi possível iniciar de modo já bem completo, o trabalho da UPI Virgínia Smith, no dia 02/05/72. A primeira Distribuição de Gêneros e Benefícios aconteceu em 20/05 seguinte, com a presença de 30 famílias necessitadas; e o Setor Educacional recebeu o nome de Alaor, homenageando uma criança ligada aos iniciadores, a qual falecera deixando em todos a impressão da sua bondade.

A Diretona do LFC ficou de melhorar as dependências ocupadas pela Unidade de Promoção Integral. Mas como fosse grande o aumento do número de co-participantes, houve logo a necessidade de uma área maior para facilitar o trabalho. Foram comprados 8 (oito) lotes de terreno em 1975, com uma casa para ser reformada.

Em 1977 houve aquisição de mais dois lotes, vizinhos aos primeiros. Em 1980 o LFC reformou a casa ali existente e construiu o Setor Educacional novo. Desde então a UPI Virgínia Smith funciona em suas instalações próprias, no Parque Itaperi (Mondubim), Distrito de Parangaba Fortaleza.

Entre as pessoas que mais cooperaram na implantação desta unidade na cidade estavam: Anália Bueno de Melo - Coordenadora e Fernando Faria de Melo - Secretário, ambos , Diretores do Lar Antônio de Pádua; Maria Zuila Pereira Façanha - Supervisora; Maria do Socorro de Pinho - Auxiliar Assistencial; Francisco de Oliveira Sobrinho Motorista e Vicente de Paula George Dutra - Dentista.

RAZÃO DA ESCOLHA DO NOME

Tal escolha resultou de proposta feita pelos Diretores do Lar Antônio de Pádua, Pioneiros da implantação desta UPI.
Virgínia Smith nasceu em Portugal. Cedo veio para o Brasil, onde se casou com brasileiro, natural do Amazonas. Como teosofista, foi membro da Sociedade Teosófica do Rio de Janeiro, cidade onde morou por algum tempo. Ela desencarnou no Brasil e já na vida espiritual, revelou-se muito amiga do Lar Antônio de Pádua, razão da gratidão de D. Anália e do Sr. Fernando de Melo.

1 comentário »

UPI Valentina Figueiredo - RJ

Em 1981, o Diretor do Hospital Municipal Carlos Chagas, de Marechal Hermes percebeu que a comunidade daquele bairro e adjacências - na cidade do Rio de Janeiro - necessitava de uma creche que amparasse as crianças de idade mais tenra, com vistas a diminuir o índice de mortalidade e o de baixo nível de inteligência ali encontrados.

Levada a idéia ao Sr. Comandante da 1ª. Divisão de Exército (R. Janeiro), General de Divisão Euclides de Oliveira Figueiredo Filho, este idealizou implantar essa creche à Av . Duque de Caxias 101 - Deodoro, imóvel do Exército, onde funcionara anteriormente um mercado da Cobal .

Em conversa com o seu colega Gen . Ademar Messias de Aragão, Presidente da CAPEMI e do LAR FABIANO DE CRISTO, o Gen. Euclides obteve sua adesão. Assim, em 22/09/81, no QG da Ia. Div . /Exército - Rio de Janeiro, o Gen. Euclides, autorizado pelo Sr. Ministro de Exército (Portaria Ministerial no. 783, de 06/08/81), como representante do Exército e o Gen. Ademar, representante do LAR, oficializaram o empréstimo de parte do imóvel supra-citado (benfeitoria e terreno) ao LFC , jurisdicionado ao Ministro do Exército, e sob a forma de Comodato.

A Diretoria fabianista, reunida no dia 24 seguinte, autorizou a instalação naquele local de um Centro de Atendimento ao Pré-Escolar-Creche, para socorrer as crianças carentes das vizinhanças, na faixa de 0 a 3 anos.

Foram necessárias obras de adaptação do imóvel, terminadas as quais, veio a inauguração às 11hs de 14/01/82. Compareceram à cerimônia: o Governador do Estado do Rio - Dr . Antônio de Pádua Chagas Freitas, O Comte. da 1ª. Div./Exército - Gen. Heitor Luiz Gomes de Almeida, o futuro Comte. Militar da Amazônia - Gen. Euclides de O. Figueiredo Filho, o Secret. de Estado da Educação - Arnaldo Niskier, o Secret. de Estado de Justiça - Desemb. Vicente de Faria Coelho, o Dir. Presidente da CAPEMI e do LAR - Gen. A. M. de Aragão, o Vice-Presidente do LFC - Gen. Sylvio Walter Xavier, o Superint. do LAR, outras autoridades e convidados especiais.

O neto da homenageada - Dr. Pedro de Oliveira Figueiredo - agradeceu em nome da família, após o alegre pronunciamento do Pres da CAPEMI.
A primeira Supervisora para esse novo tipo de atendimento foi a Sra. Maria de Fátima Belmino de Mendiburo, funcionária/LFC que, depois de algum tempo, teve que deixar a função, sendo substituída por outra a Sra. Maria Regina Peres Gomes. Esta funcionária, das mais experientes do LAR, sentiu que era necessário oferecer socorro às famílias de seus protegidos, apoiando suas mães; e sugeriu transformar a Creche em Casa de 3ª. faixa que englobasse a Creche.

Era o final de 1984. Então, as Diretrizes Operacionais do LAR para 1985 determinaram a mudança. E a partir de 01/06/85, surgia ali a nova Casa Assistencial de 3ª. faixa que facultaria às mães dos bebês a possibilidade de deixarem também os filhos de 4 a 7 anos incompletos sob os cuidados da gente fabianista, a fim de buscarem tarefa remunerada. A Supervisora permaneceria e faria a primeira Distribuição de Gêneros e Benefícios no dia 10, seguinte. A denominação desta Unidade Assistencial foi mudada de Creche para Unidade de Promoção Integral-UPI, em reunião de Diretoria do LFC em 11/07, mas a Patrona permaneceu a mesma.

A partir de então, a Direção do LAR descobriu que, em havendo espaço físico e algumas condições indispensáveis, é possível manter também creches nas UPI de 3ª. Faixa. É o que vem procurando efetivar.

RAZÃO DA ESCOLHA DO NOME

Quando da escolha inicial de um Patrono para esta UPI - ainda creche - foi sugerido o nome de Judas Tadeu, “santo” da Igreja Católica, denominação que só permaneceu até 17/12/81, sendo então substituída pela atual: Valentina Silva de Oliveira Figueiredo. A intenção da Diretoria do LAR, ao escolhê-la - Foi agradecer ao Gen . Euclides - filho de D. Valentina, por sua participação na criação desta Unidade de Promoção do LAR.

D. Valentina sempre se revelou boa filha e boa companheira, mas foi sobretudo como esposa e mãe que ela se destacou, pois suportou longas separações do marido, impostas pelas circunstâncias políticas e motivadas por perseguições, e a prisão dele (sobrepondo-se às continuadas angustias que tudo isso trazia).

E presidiu à criação de 6 filhos ilustres, entre os quais o Gen. Div. Euclides, de quem já falamos, e o Gen. de Exército João Baptista de Oliveira Figueiredo, que foi Presidente da República.

Valentina foi exemplo de mulher brasileira corajosa e cheia de fé. Homenageá-la é homenagear todas as anônimas e valorosas mães e esposas brasileiras (segundo disse o Gen. Aragão).

1 comentário »

UPI Tiradentes- SP

Invalid Image: ESI_idosos.jpgInvalid Image: curso_padaria.jpgInvalid Image: Imagem293.jpg

Em São Paulo - Capital, através de convênio com a Sociedade Assistencial Espírita da Lapa. O LAR FABIANO DE CRISTO ajudava a manter desde 1964 (segundo semestre), a Casa de Meimei(hoje extinta), unidade de 2ª. faixa, que estava sob a direcão de Atílio Campanini.

Também mantinha na Paulicéa uma unidade de 1ª. Faixa, a de Isenah(hoje também extinta). Almejava, porém, estabelecer lá uma unidade 3ª. faixa, e viu que poderia contar com aquele grupo de trabalhadores da Lapa.

A notícia escrita mais antiga que temos sobre tal UPI refere-se a carta escrita pelo Sr. Atílio, contando que os companheiros paulistas haviam escolhido, em 21/04/68, Tiradentes para ser o seu Patrono (ver ata da Reunião de Diretoria de 03/05 seguinte). Ao responder ao missivista, a Direção do LAR recomendou que naquela UPI fossem utilizados os mesmos métodos que as outras vinham empregando.

O LAR dera início à construção das instalações necessárias, no Bairro de Brasilândia , perto da Lapa.
Enquanto isso, a UPI funcionava na própria Sociedade Assistencial Espírita, conduzida pelo mesmo grupo de cooperadores dessa Sociedade.
Em 08/05/68, a Diretoria fabianista decidiu que o Gerente da Agência da CAPEMI de S.Paulo seria designado para responder pela obra da UPI.
Planejava-se inaugurar as novas acomodações em 24/07/68.
Mas a construção sofreu atraso.

Assim, embora os colaboradores paulistanos tivessem um bom entrosamento com o LFC, e seu trabalho fosse considerado excelente pela Diretoria deste último (ver ata de 27/08/68), quando tiveram início os preparativos para transferir para a sede nova as tarefas assistenciais, os Diretores resolveram enviar até eles um pessoal já treinado, a fim de orientá-los na implantação dos serviços nos moldes previstos.

Visando a oferecer-lhes um curso (em que também se inscreveram candidatos a emprego no LAR) seguiram para S.Paulo os funcionários Fernando César de Carvalho Gonçalves e Margarida Timótheo de Lima. Seguiu também, em 09/09/68, uma equipe de funcionários da UPI Iracema-RJ (Alcirema Sarros, Dilmo de Andrade e Ana Maria) que iam concluir os preparativos e realizar a primeira Distribuição, que aconteceu, afinal, em 21.09.68, na Sede recém-preparada, para 20 famílias inscritas.

Alcirema permaneceu na Supervisão desta UPI por 6 meses, sendo substituída por Leonice Teodoro. Nesse período ela realizou também as Distribuições da UPI de Maria de Nasareth, em JUIZ de Fora.

RAZÃO DA ESCOLHA DO NOME

Ao tempo em que o Brasil ainda pertencia a Portugal, alguns movimentos surgiram do povo, visando à libertação de nossa Pátria. Um deles, a chamada Conjuração ou Inconfidência Mineira, destacou-se entre os mais, por ter envolvido muitos intelectuais, gente da sociedade, pessoas que estudaram na Europa. E talvez eles tivessem obtido sucesso com seus planos, não fosse a presença de um traidor no seio do grupo.

Acima dos demais conjurados, porém, sobrepairou o vulto de Joaquim José da Silva Xavier, que, se não era o mais culto, nem o de maior destaque social, nem talvez - o mais inteligente, mostrou-se o mais nobre, o mais corajoso, o mais verdadeiro em seu intento de ver livre o Brasil. Era simples alferes da polícia, que se dedicou também à profissão de dentista (donde a alcunha de Tiradentes).

Foi aprisionado no Rio, onde estava em missão da causa, ao contrário dos demais, que foram presos em Minas Gerais. E, também, diferentemente dos seus companheiros, foi ele o único que jamais negou sua culpa; antes, chamou a si toda a responsabilidade pela Conjuração.

A consequência foi que apenas ele se viu condenado à forca, enquanto os demais recebiam penalidades mais brandas, como prisão perpétua ou degredo. Foi enforcado a 21/04/1792. E esquartejado, para que cada parte fosse afixada a um poste, publicamente, e servisse de alerta a outros brasileiros patriotas. Sua casa foi arrasada e salgada para que nada brotasse do chão nu. Seus descendentes, se os tivesse, teriam que ser amaldiçoados, durante algumas gerações.

Uma pena tão drástica, extensa e abrangente visava a lançar o opróbrio sobre seu nome. Mas os que o condenaram não contavam com o seguinte resultado, um solo havia, capas de recebê-lo festiva e amorosamente - o coração de cada brasileiro patriota, onde, entre as flores do respeito e da admiração, ele vive ainda hoje. Além disso, seu sangue banhou cada semente do ideal libertário, a partir de seu sacrifício, fazendo surgir o “Brado de Independência” 30 anos depois, às margens do Rio Ipiranga.

Em 1965 a Lei 4897 o declarava Patrono da Nação Brasileira. Portanto, foi ato de inteira justiça conferir a Tiradentes a posição de Patrono também de uma das Unidades de Promoção Integral-UPI do LAR, visto que a CAPEMI , através de unidades fabianistas como esta, vem tentanto libertar das correntes da miséria e da ignorância algumas centenas de milhares de brasileiros carentes, desde 1960.

Sem comentários »

UPI Suzana Wesley - RJ

Estava iniciado o ano de 1969. Na sede do LAR FABIANO DE CRISTO - então à R. Senador Dantas, 117, surgiam todos os dias algumas pessoas necessitadas de ajuda para sobreviverem com seus filhos. E o LAR era obrigado a recebê-las com um “não”, pois as Unidades de Promoção Integral-UPI que possuía no Grande Rio já vinham atendendo a um número excessivo de inscritos. Verificando, porém, que a maioria desses candidatos residia nas áreas de Paciência e Campo Grande, ou nas proximidades dali, a Diretoria do LAR decidiu procurar naquelas imediações terreno para construir uma Unidade apropriada ao tipo de trabalho da 3ª. faixa. Surgiram algumas propostas.

Naquela época o LAR já recebia gêneros americanos, do “Programa Alimentos para a Paz” através da Diaconia que era um dos representantes deste último em nosssa terra. E o Diácono Walter Baggio, Metodista, mantinha muito bom relacionamento com os dirigentes do LAR. Tomando conhecimento do problema e sabendo de uma construção deixada pela metade, naquela região, e considerando ainda que um entendimento poderia interessar tanto ao LAR quanto aos donos da mesma - Igreja Protestante, ele trouxe o assunto ao primeiro, para avaliação.

Situava-se a propriedade na Estrada do Carapinho, 18 - Campo Grande. Ali a Igreja havia começado a edificar um abrigo para idosos. Mas, percebera que o local não era bem indicado para a finalidade: por isso sustara a obra, colocando tudo à venda. Após visita ao local, a Diretoria Fabianista decidiu afirmativamente quanto à oferta, pois a construção era perfeitamente adaptável ao tipo de trabalho a ser executado pelo LAR.

Em 14/05/69 foi decidido dar posse aos primeiros Dirigentes da nova UPI: Tenentes Breno Paes da Silva e Luiz Florentino de Moura e Pastor Baggio. Em agradecimento a este último, por sua espontânea cooperação, foi sugerido que ele desse nome ao novo setor de trabalho. E o Pastor escolheu, alegre, o da mãe dos dois fundadores do Metodismo: Suzana Wesley.

A Unidade começou com 65 famílias inscritas e realizou sua primeira Distribuição em 14/06/69, com 37 famílias presentes, mas, como o local recém adquirido ainda não oferecia as condições mínimas para uso, sua realização se deu na UPI Iracema Cascadura, sob orientação de sua Coordenadora D. Elza P. de Siqueira Lima.

Já em 28 do mesmo mês, quando houve a segunda Distribuição, foi possível usar o terreno à R. do Campinho, onde as obras ainda estavam longe de ficar prontas, mas havia um precário barracão de madeira que acolheu as famílias inscritas restantes. Estavam presentes: Cel. Rolemberg, Pastor Baggio, Ten Moura e Ten. Breno, Deolinda, Neli Silva, o motorista Mário Abraão, Noemia de Anunciação, Geralda de Jesus e a Coordenadora da Casa de Philadelpho(hoje extinta).

Neste endereço, a UPI Suzana Wesley chegaria a atender - mais tarde - a 300 famílias, com suas crianças em idade pré-escolar freqüentando o Setor Educacional. Era uma das Casas mais amplas que o LAR já teve - confortável e bela. Estando situada em centro de terreno bem grande, plantada de árvores frutíferas e possuidora de extensa e produtiva horta, que abastecia as Casas similares e a Sede do LAR, foi possível construir-se ali, posteriormente, as 5 Casas-lares(Colméia) em que a Unidade de 2ª. faixa Emmanuel (hoje extinta) viria a desdobrar-se, abrigando crianças recebidas como filhos por 5 casais. A Colméia – 2ªfaixa e a UPI Suzana Wesley – 3ªfaixa passaram a ser chamadas Conjunto Operacional de Campo Grande.

No início da década de 80, o LAR trocou aquela sua propriedade por uma fazenda em Santa Cruz - RJ, onde planta e cria (também mantendo lá uma unidade de 2ªfaixa). Nessa hora a UPI Suzana Wesley teve que ser transferida para a Estrada do Mato Alto, no. 215, onde seu efetivo de co-participantes é menor, pois as instalações que lhe couberam são também bastante reduzidas.
Muitos e excelentes funcionários trabalharam nesta UPI, que lhes serviu de escola. Hoje representam o LAR em unidades similares. Sua Supervisora, desde out/1970 é a Sra Jani G. Pinto Silva.

RAZÃO DA ESCOLHA DO NOME
“Suzana Wesley nasceu em Londres, a 50/01/1669, filha do Dr. Samuel Annesley, de família nobre e de recursos. Era inteligente, vibrante, vivaz. Seu pai, reconhecendo-lhe o valor, fê-la estudar. Na escola ela aprendeu Latim, Francês, Grego e os Clássicos, Matemática e Lógica”.

“Casou-se com outro Samuel - da família Wesley: um Ministro da Igreja Anglicana. Teve 19 filhos”. “Revelou sempre grandes dotes de mãe, educadora e esposa. Dedicava a cada filho duas horas semanais”, para conversa informal, carinho e respostas às suas indagações sobre a vida; isso lhe valeu o reconhecimento e o respeito dos filhos. Dois deles -João e Carlos Wesley destacaram-se no estudo, em Oxford, foram Ministros da Igreja Anglicana e organizaram a Igreja Metodista”.

Suzana faleceu aos 74 anos - “vitoriosa, feliz, cercada pelos filhos”. Nos seus derradeiros momentos pediu a estes que lessem para ela “um salmo de louvor ao Criador”.
Dela disse um escritor. “Morreu Suzana Wesley em 1743, mas sua vida de bondade, firmeza, coragem e consagração ao Bem espiritual de seus filhos serve, até hoje, de estímulo a milhões de mulheres de todas as raças e nações”. (Contribuição do Rev. Walter Baggio).

Sem comentários »

UPI Rodolpho Bosco - SC

Em Itajaí, Santa Catarina, o Cap.Valmor Raimundo Machado, morador na cidade e que servia no Quartel da Polícia Militar, localizado, então, no antigo Aeroporto, compareceu certo dia à Delegacia local, onde sua atenção foi despertada por Forte choro de criança.

Perguntou de que se tratava e ficou sabendo que o choro vinha de três meninotes, freqüentemente recolhidos àquela delegacia por furtos e uso de drogas. Soube mais: que um deles, apelidado de Satanás, era terrivelmente problemátíco. Pois foi esta a criança por quem o Cap. primeiro se interessou, levou-o ao seu Quartel, onde lhe ofereceu um quarto, sabonete, toalha e roupas, para uma boa higiene e repouso. Daí em diante, colocou-o a trabalhar na cozinha com os soldados, aproveitou-o para servir cafezinhos e para engraxar sapatos. Em breve ele iria ser aprendiz e, depois mecânico. Outros meninos foram agregados ao primeiro, muitos outros, chegando a 100 (cem) o seu número.

Através da Secretaria de Bem-Estar Social de Florianópolis, o Cel Rolemberg, na Sede do LFC-Rio, ficou sabendo do fato. Ele, que vivia em busca de corações devotados à infância carente, pediu relatório a respeito. Então convidou o Cap. Valmor para vir ao Rio. a fim de visitar o LAR.

Dessa visita veio a idéia da fundação do “Pelotinho” Garibaldi junto àquele Quartel de Itajaí. Ali, os meninos receberiam uniformes, alimentação, cursos, que o LAR lhes propiciava; este pagava também monitores para trabalharem com as crianças (desse modo muitos meninos carentes foram aproveitados e hoje são homens de bem, encaminhados na vida). O “Pelotinho” chegou, pois, a desempenhar papel importante na cidade. Mas em 1975 iria desvincular-se do LAR FABIANO DE CRISTO, passando a apoiar-se na Comissão Municipal do Bem Estar do Menor de Itajaí e na Secretaria de Serviço Social de Santa Catarina; sua função fora abrir caminho para o LAR naquela comunidade e revelar pessoas para o serviço abençoado do Bem.

Posteriormente, o Cap. Valmor voltou ao Rio, a convite, para permanecer por uma semana visitando as unidades de 3ª. faixa locais e observando seus trabalhos. Ele era espírita e desejava ajudar melhor os menos favorecidos pela sorte em sua cidade, pois reconhecia que eram muitos os necessitados, dos quais boa parte habitava as localidades de D.Bosco, Matadouro e S. Vicente.

Por isso, ao findar sua visita, foi recebido pelo Cel.Rolemberq para entendimentos, ficando assentado que ele procuraria na sua cidade um local apropriada ao funcionamento de uma unidade de 3ª. faixa, que o LAR iria manter.

Como havia em Itajaí uma grande fábrica de tecidos que entrara em falência, foi solicitado ao JUIZ encarregado desse processo que cedesse ao LAR as instalações da empresa, por empréstimo - tratava-se da Tecelagem Itajai S/A - TECITA.

Assim se obteve o prédio onde funcionara o escritório da mencionada TECITA, abandonado, e necessitando de consertos e adaptações, para o uso pretendido, o que foi feito. A própria comunidade (destacando-se a 4ª. Cia de Polícia Militar de Santa Catarina), alertada para o fato, muito cooperou na capinagem e na pintura do imóvel. Foi, portanto, nesse endereço que a Unidade de Promoção Integral Rodolfo Bosco teve início, à Rua Uruguai, 284, após assinatura de contrato em que o M.M.Juiz responsável representava a “massa falida” referente àquela firma.

As funcionárias da Sede do LAR - Da. Ady Annes Tavares e D.Yedda de Azevedo Paranhos cadastraram as primeiras famílias e matricularam as primeiras crianças no Setor Educacional. E supervisionaram a execução dos trabalhos técnicos e administrativos do início, sendo a primeira Distribuição feita em 05.09.73, para 31 famílias inscritas. Esta Unidade de Promoção já estava autorizada pelo LAR a funcionar, mas só em 14.12.73 teve seu nome registrado em ata de Reunião de Diretoria.

Os primeiras dirigentes da UPI Rodolfo Bosco foram: Capitão Valmor Raimundo Machado (Coordenador), Sebastião Pedrosa Pereira (funcionário mais categorizado, exercendo as funções de Supervisor e de Tesoureiro) e Ari Stant Ramos (Secretário). Entre os outros funcionários dessa época estavam Marisa Vieira (Monitora) e Irene Soares (Aux. Assistencial).

Em 1976, a UPI ainda estava alojada no mesmo endereço. Então um industrial alemão comprou aquela propriedade, para nela implantar uma indústria de máquinas pesadas. Ele foi ocupando o espaço aos POUCOS e marcando prazos para a desocupação da UPI. Desse modo a área de que esta dispunha foi ficando reduzida e insuficiente.

Diante desta pressão, o LAR resolveu que seria buscado e adquirido um outro imóvel, o que não foi fácil, em vista dos preços elevados. Então, procurado, o Prefeito doou um terreno. Este, porém, foi visto pelo Cel Rolemberg, que viajava por lá e que percebeu não ser a área apropriada para construção da UPI, por estar sujeita a inundações. Foi necessário retomar a busca.

Então coincidiu estarem em Itajai o Governador de Santa Catarina - Dr. António Carlos Konder Reis e a funcionária do LAR, Dª. Ady . Esta, juntamente com a então Supervisora da UPI - Zani Augusto dos Santos, conseguiu dele uma audiência. Durante o encontro, o Sr. Governador recomendou ao Prefeito local, Sr. Frederico Olindio de Sousa, que conseguisse outro terreno para o LAR. Ele foi conseguido e doado mediante a Lei no. 1458, de 27.11.75 da Prefeitura da cidade. Embora o terreno fosse melhor localizado, estava necessitando de aterro. D.Zani conseguiu 40 caminhões de barro, máquinas de terraplenagem e trabalhadores da municipalidade e, no, Carnaval de 1976, aproveitando-se a folga de todos, o serviço foi feito .

Em 17.03.76 foi lavrada a escritura publica de doação daquele terreno, ficando então estabelecidos os seguintes prazos, contados a partir desta data: 2 anos para o início e 5 para o término da obra a ser construída. Optando pelo uso de madeira, o LAR apressou a construção, de modo que em 18.11.76 a Supervisora D.Zani podia comunicar que a UPI Rodolfo Bosco já se achava funcionando no novo endereço - Rua José Gall. 170 -Bairro de Dom Bosco.

RAZÃO DA ESCOLHA DO NOME

Rodolpho Bosco nasceu em 17 06.1895, em Florianópolis. Foi alfaiate, profissão que aprendeu quase sozinho destacando-se dos outros alfaites, como excelente. Aposentou-se em 1943.

Então, dedicou-se a estudar intensamente. Transformou-se em Professor de Contabilidade, de Desenho e de Educação Moral e Cívica. No Fórum de Itajaí foi Defensor Dativo, tendo atuado como tal por mais de 50 vezes. Colaborou na reforma do Grupo de Teatro de Amadores, daquela cidade e nele foi diretor, ator e ensaiador.

Revelou-se, ao escrever em prosa e em verso, como filantropo e como pessoa de grande sensibilidade artística.
Tornou-se espírita. Como médium, propiciou benefícios a quantos o procuravam, multiplicando atos de caridade, levado por sua natureza fraterna. Divulgou a Doutrina o quanto pode.

Era casado, em primeiras núpcias, com Da. Eugenia Coutinho, com a qual chegou a ter 4 filhos: Dalmo Bosco, Walmir Bosco, Paulo Bosco e Rubens Bosco Tendo enviuvado, em 1942, ele casou-se de novo. então com Da. Hilda Couto.

Em 23 05.72, uma lesão cardíaca lhe foi fatal e ele desencarnou.
O Cap. Valmor R.Machado escolheu Rodolpho Bosco para patrono da UPI de Itajaí, por “sua marcante atuação na sociedade em que viveu, por, seu espírito de humanidade e seu interesse pelo drama dos humildes”.

Sem comentários »

UPI Rodolfo Aureliano - PE

O primeiro semestre de 1973 veio encontrar no LFC um acúmulo de pedidos oriundos de Recife, referentes à possível criação de uma Unidade de Promoção Integral-UPI de 3ª. faixa que atendesse à comunidade carente local. A funcionária Ady Annes Tavares foi incumbida pela Diretoria de ir até lá e comprar um terreno com vistas a atender a tantas solicitações.

Ela viajou no início de junho, adquiriu o imóvel e nele realizou a primeira Distribuição de Gêneros e Benefícios, em 11/06/73, com 46 famílias presentes. Portanto, esta UPI começou a funcionar já com sede própria (raridade na história do LFC), à Av.Afonso Olindense, 1948 - Praça Pinto Damasco Várzea. E nesta fase inicial atendeu a 100 famílias, com 120 crianças em suas classes de adaptação.

Embora já tivesse aprovação para funcionar, só na Ata de Reunião de Diretoria Executiva realizada em 14/12/73 é que ela foi oficialmente registrada, pela primeira vez, como UPI Rodolfo Aureliano.

Sua primeira Diretoria foi composta por estas pessoas da cidade que, consultadas, aceitaram a incumbência: - Coordenador: Alfredo de Azevedo; Tesoureira: Iracema Almeida de Morais e Secretário: Zilailson de Oliveira Silva.

E estes foram seus primeiros funcionários, encarregados das atividades administrativas e técnicas; - Superintendente; Iracema de Almeida de Morais; Auxiliar de Administração: Zilailson de Oliveira Silva,- Auxiliar Assistencial; Olinda Maria de Araújo Belo; Professora (hoje Monitora), Mildred Marinho Aguiar dos Santos; e Motorista: João Gomes Pereira.
A UPI Rodolfo Aureliano, como as demais unidades por todo o Brasil, tem desempenhado um importante papel na Capital pernambucana - não apenas com socorro material de rotina, apoio moral e educacional contínuo a seus assistidos, mas também em situações de emergência, em tempos de calamidade Pública, como sucedeu, por exemplo, em duas ocasiões na década de 70, quando houve trágicas enchentes em Recife.

RAZÃO DA ESCOLHA DO NOME

Rodolfo Aureliano foi JUIZ de Direito que exerceu suas funções em diversas Comarcas pernambucanas. Depois, havendo fixado residência em Recife, implantou ali o Juizado de Menores, tendo sido seu primeiro titular naquela Capital. Foi então Juiz de Menores por 18 anos, de coração aberto e espírito esclarecido, extremamente dedicado a solucionar os problemas da criança.

Não agia apenas por razões profissionais, mas punha interesse e desvelo de tal ordem nas atividades que lhe cabiam quanto à assistência ao menor, que chegou a transferir sua residência para a Sede do Juizado E instalou, em sua propriedade, um posto de comando das atividades estimuladoras da integração da criança à sociedade.

Entre outros empreendimentos socioo-educativos a que se dedicou no sentido de beneficiar crianças e adolescentes, pode-se citar o ensino fundamental (como fundador e diretor do Colégio Padre Félix), o ensino profissional (pela abertura de frentes nas escolas técnico- industriais), o escotismo (na qualidade de criador de grupos de escoteiros e de bandeirantes da cidade de Recife), etc.

Em face de tal história de vida, a escolha de Rodolfo Aureliano para Patrono da UPI do LFC na capital pernambucana resultou de um impulso de gratidão, de um preito de admiração que moveu os Diretores fabianistas.

Sem comentários »

UPI Rachel - BA

Havia, em 1962, na cidade de Itabuna-BA, uma “Colônia Nosso Lar”, que a Câmara Municipal local considerou de Utilidade Pública pela Lei 566, de 21 de agosto daquele ano, autorizando mesmo o Poder Executivo Municipal a doar-lhe uma área de terra onde deveriam ser construídos um sanatório, um pronto-socorro, uma escola profissionalizante e escolas de nível elementar; e onde funcionaria uma colônia agrícola - tudo para beneficiar a população, em especial os menores abandonados da região.

Uma condição ficou estabelecida: se em 6 meses a donatária não desse início às construções, ou se, em 3 anos, ainda não houvesse nada funcionando, o Município retomaria o terreno (tudo a contar da data da escritura, lavrada em 12/12/63).

Em 1964, no Rio de Janeiro, a Diretoria Executiva do LFC se reuniu, tendo ficado registrado em ata (dia 10/05) um pedido de auxílio que a Colônia Nosso Lar lhe dirigiu, e também a resolução da Diretoria de ajudar no que fosse possível. O então Presidente do LFC, Jaime Rolemberg de Lima, sempre que ia até a Bahia, podendo, visitava, também, a Colônia e seu provedor e fundador - Sr. Fernando Nogueira Dantas.

Mesmo com a ajuda do LAR, a Colônia enfrentava grandes dificuldades financeiras. Os jovens ali acolhidos, entre 12 e 17 anos, que chegaram a somar 3492 ao longo dos 15 anos desta entidade, tinham ali, como norma, o trabalho. Mas grande percentagem não conseguiu adaptar-se. Assim, em 1976. a Colônia deixou de funcionar, regressando os menores às suas origens. Nessa época, o Sr. Fernando considerou que deveria doar as instalações da entidade ao LAR FABIANO DE CRISTO, a fim de que, de algum modo, continuasse a haver na cidade uma obra social dedicada aos menores carentes. Em 30/08 do ano seguinte era lavrada a escritura.

A Diretoria fabianista logo cogitou de instalar no local uma de suas Unidades de 3ª. faixa. Em Janeiro de 78 foi marcado pelo desencarne do cel. Rolemberg e também pela implantação do Conjunto Operacional de Itabuna, pelo LFC. Este deveria constituir-se de: Colméia de Ana Franco (ativada em primeiro lugar sob a supervisão do funcionário Antônio Gilson da Silva), Casa de Rachel (3ª. faixa) e Núcleo de Produção Agro-Pastoril. Para dinamizar os trabalhos no local seguiu, em julho do mesmo ano, para lá, uma equipe de funcionários do LAR, composta por Fernando César de Carvalho Gonçalves (a quem a CAPEMI e o LAR devem excelentes contribuições em dedicação e tino), Rosa do Socorro Vieira e Maria das Graças Pereira.

Em 09/09/78, com uma primeira Distribuição de Gêneros e Benefícios, era inaugurada a Casa de Rachel. Presentes estavam o novo Presidente do LAR, Gen Sílvio Walter Xavier, seu Diretor Geral, cel. Nelson Antunes Cordeiro, e também o JUIZ de Menores e o Prefeito de Itabuna.

Ficava assim concluída a primeira fase de implantação da obra fabianista naquela cidade, conforme o planejado inicialmente, o que foi informado aos Diretores do LFC, por seu Presidente, em 13/09/78.

Com o tempo, o LAR teve que restringir-se à tarefa assistencial da UPI Rachel, pois encontrou dois tipos de dificuldades para as outras: a grande diversificação dos trabalhos no Núcleo; a impossibilidade de encontrar pessoas habilitadas que se responsabilizassem pelas Casas-Lares da Colméia (esta começou a ser desativada a partir de março/86, com a transferência dos menores remanescentes para outras unidades de 2ª. faixa do LFC).

Como o Núcleo de Produção foi desativado, a UPI de 3ª. faixa passou a ter uma horta e pequena criação de animais para uso próprio.

RAZÃO DA ESCOLHA DO NOME

Rachel Rosa Teixeira Xavier foi escolhida como Patrona dessa Unidade de Promoção Integral-UPI, por seu invariável empenho em ajudar seus semelhantes - demonstrado ainda quando ela estava encarnada. Era uma bondosa senhora espírita que levava vida relativamente pobre, casada com um homem que lutava muito para manter a família.

Seu esposo, Antônio da Costa Lima Xavier, era vendedor de tecidos na loja “A Bandeira Vermelha”, situada de frente para a Praça Tiradentes, no Centro do Rio de Janeiro.
Embora possuísse apenas um filho - Sylvio Walter - a Sra. Rachel costurava para fora, fazia bolo inglês e fabricava chapéus para senhoras, que vendia numa loja em São Cristóvão.

Moravam no Morro do Castelo, ladeira dos Cotovelos, e depois à Rua Paulino Fernandes, 69, em Botafogo. Sua casa era procurada por muitos, com seus diferentes problemas, pois todos sabiam que ela amparava sempre - um socorro material e espiritual.

Quando seu filho fez 16 anos, foi servir ao Exército em São Paulo. Como as comunicações e os transportes, nessa época, eram difíceis, mãe e filho sofreram bastante.

Rachel desencarnou em 28/11/58, ou seja, dois anos e dois dias após o falecimento do esposo.

Sem comentários »

UPI Professor Pastorino - DF

O LAR FABIANO DE CRISTO tem estado interessado em construir, na medida do possível, uma Casa Assistencial em cada capital brasileira. Por esta razão, apoiado nas Agências Estaduais da CAPEMI, procurava conseguir das Prefeituras Municipais, em vários Estados, doações de terrenos ou cessão de áreas, quando, em 20/05/81, em Goiânia, a Lei nº 5765 (cuja cópia chegou ao LAR em 01/06/81) autorizou o uso de certa área municipal - a quadra 22, entre as ruas 9 e 11, 40 e 42 - Setor Santos Dumont.

Através da Agência Estadual de Goiânia, o LAR e aquela Prefeitura se entenderam e o Termo de Permissão para Uso nº. 01/81 foi lavrado em 08/10/81, estabelecendo duas condições:
- Uma Casa Assistencial deveria ser construída ali em
até 2 anos;
- Ela poderia usar o terreno por 25 anos.

O LAR FABIANO DE CRISTO recebeu logo o apoio da CAPEMI e da CAPEMI- Imobiliária Ltda. Em 18/01/83 esta última recebeu da construtora contratada a obra já pronta. Em 27/01/83 a instalação da Casa Assistencial foi aprovada pela Diretoria do LAR, por unanimidade. Em 31/05 seguinte houve a primeira distribuição de gêneros, embora a inauguração oficial só tenha acontecido depois, em 06/06/83, quando tiveram início as atividades do Setor Educacional.

RAZÃO DA ESCOLHA DO NOME
O Conselho Diretor do LFC decidiu, em 09/06/83, dar à nova Casa Assistencial o nome do Professor Pastorino.

Sobre ele, sabe-se:
Chamava-se Carlos Juliano Torres Pastorino
Nasceu no Rio de Janeiro em 04/11/1910. Aos 14 anos bacharelou-se pela melhor escola pública da época - o Colégio Pedro II - RJ.

Desejou ser padre e foi para Roma. Em 19S9 obteve aprovação para diversas Ordens menores. Em 1931 foi aprovado para a Ordem do Sub-Diaconato. Em 1934 obteve aprovação final, com louvor, nos Cursos de Filosofia e Teologia pelo Colégio Internacional Santo Antônio Maria Zaccaria.

Decepecionado com o Papa Pio XII, porque este se negara a receber o líder indiano Gandhi em seus trajes habituais, Pastorino renunciou ao sacerdócio, às vésperas de sua promoção a diácono.

Então, dedicou-se ao jornalismo, ao magistério e à crítica de arte. Tornou-se professor de Psicologia, Lógica e História da Filosofia em 1938. Em 1939 passou a lecionar Latim no Colégio Pedro II. Também lecionou Latim e Grego no Instituto Italo-Brasileiro de Alta Cultura. Em 1944, após concurso de títulos e provas, fez-se professor de Latim no Colégio Militar do Rio de Janeiro (e passou a Catedrático em 1940, por concurso de títulos). Em 1961 foi brilhantemente aprovado em concurso de títulos e provas para Catedrático de Latim no mesmo Colégio Pedro II - Internato, como Docente.

Para lecionar na Universidade Federal de Brasília obteve aprovação como Titular de Língua e Literatura Latina (1971), Língua e Literatura Grega (197E) e Linguística (1974). Em 1972 tornou-se Tradutor Público de Francês, Italiano e Espanhol, após outro concurso.

Foi escritor (poeta e teatrólogo - escreveu pecas para o rádio), jornalista (cronista para a imprensa periódica, particularmente a Gazeta de Notícias. O Jornal, Jornal do Comércio e Revista Sabedoria, por ele fundada), escreveu sobre Educação, Latim, Grego, Psicologia, Artes Plásticas, Espiritualismo, etc.

Era historiador, filólogo, músico (autor de 31 peças para piano, para orquestra e para quarteto de cordas; e de polifonias a 3 ou a 4 vozes).
Além do Latim e do Grego, dominava 6 línguas vivas e sabia alguma coisa de sânscrito e de hebraico. Dominava também o Esperanto, que divulgou, tendo fundado a Sociedade Brasileira de Esperanto do Rio de Janeiro e tendo sido Delegado Especializado da Universala Esperanto Asocio.

Chegou a publicar 58 obras, entre as quais algumas obras didáticas de Latim e de Esperanto, bem como outras escritas diretamente em francês, latim e espanhol.
Era versado também em Ciências Exatas.

Sua obra mais importante é “Sabedoria do Evangelho”, com 8 volumes já publicados e permanecendo inéditos outros tantos volumes. Trata-se de um trabalho “sem paralelo no gênero, contendo nova tradução direta do grego, dos textos neo-testamentários, acompanhada de eruditos comentários históricos, geográficos, hermenêuticos, alegóricos e simbólicos”.

A partir de 1958 e por alguns anos manteve na Rádio Copacabana - Rio o programa Higiene Mental.

Em 1950 tornou-se espírita, após ler e reler em 2 dias - o Livro dos Espíritos. Como tal, desenvolveu atividade intensa. Começou frequentando o Grupo Espírita Júlio César, no Grajaú; foi orador na Cruzada dos Militares Espíritas (chegando mesmo a fundar, na década de 50, o Núcleo da Cruzada no Colégio Militar do Rio de Janeiro); pregou a Doutrina através da Hora Espiritualista João Pinto de Souza, programa liderado por Geraldo de Aquino, pela Rádio Clube do Brasil (RJ); e de 54 a 57 integrou o Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, representando os espíritas do Pará.
Foi fundador do Grupo Espírita da Boa Vontade, no Centro do Rio, mais tarde chamado Grupo de Estudos Spiritus e de uma livraria espiritualista com nome SPiritus.

Com Jaime Rolemberg de Lima e outros, foi fundador da Organização Educacional Espírita, do LAR FABIANO DE CRISTO, da CAPEMI e do jornal SEI (estes 3 últimos surgiram na sede do Grupo Spiritus, à Rua 7 de Setembro, 223/401). Foi também um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas - ABRAJEE.

Toda essa grande cultura e o respeito que soube conquistar em toda parte não lhe tirariam a simplicidade, a grande modéstia. Conversava com igual naturalidade com o sábio e com o ignorante, dispensando a todos o mesmo trato ameno. Paciente, ensinava sem impor, mas bastava partilhar-lhe a presença e ouvi-lo para que se tivesse o que aprender. Era homem bom, sem rancores, aberto a todos e que tentava vivenciar o Evangelho.

Foi muito dinâmico e abria sempre novos caminhos, mas sua generosidade o levava a orientar outros para percorrerem esses caminhos. E ele voltava à sua tarefa intelectual, que nem todos poderiam desenvolver. Seus últimos anos foram especialmente dedicados a isto (na continuação dos estudos e da pesquisa exigidos para prosseguir escrevendo A Sabedoria do Evangelho).

O Professor Pastorino desencarnou em Brasília, no Hospital das Forças Armadas, a 13/06/80, deixando 3 filhos de um primeiro e 2 de um segundo casamento.
O LAR FABIANO DE CRISTO lhe deve não só ter sido o seu idealizador inicial, o arregimentador de seus fundadores, mas também o ter sido seu primeiro Presidente (posição que OCUPOU mais de uma vez) e haver participado de seus Conselhos, ocasiões em que seu equilíbrio ajudou a tomar as decisões acertadas.
(Informações colhidas no SEI-Boletim Nº.1000, de 30/05/1987)

Sem comentários »

UPI Odin de Araújo - PB

Em meados de 72, o Dr. Lauro Neiva, membro da Diretoria da CAPEMI, regressava de viagem ao Norte e ao Nordeste do país. Procurou o Cel. Jaime Rolemberg de Lima, Diretor-Presidente daquela entidade e do LFC, para relatar o quanto vira do amor e da dedicação do Sr. Laurindo Cavalcante de Araújo, que realizava, quase sozinho, em João Pessoa, um trabalho em benefício de crianças carentes. Poucos dias depois o Cel. Rolemberg poderia comprovar, em contato pessoal com o Sr. Laurindo, a abnegação e a dificuldade com que o mesmo continuava tentando amparar mais de 20 pequeninos na Casa Lins de Vasconcelos, assegurando-lhes assistência sob todos os aspectos.

Então, o Cel. Rolemberg propôs a esse senhor dar-lhe apoio, desde que ele amoldasse seu trabalho às técnicas assistenciais desenvolvidas com sucesso, havia alguns anos, pelo LFC em suas unidades de 2ª. faixa. Mas pedia apoio para implantar, naquela cidade, uma unidade de 3ª. faixa.

Estabelecido entre ambos um acordo, o LAR enviou àquela Capital a funcionária Ady Annes Tavares para fazer o levantamento de dados e a pesquisa preliminar necessária, antes da inscrição das famílias que seriam beneficiadas. Ela ia encarregada, também, de adquirir um terreno onde se construisse a unidade de 3a. faixa .- o que conseguiu com a assessoria do Engenheiro Ricardo Cruz Vargas, da CAPEMI. Essa aquisição foi feita em boas condições porque se contou com a boa vontade da viúva e dos herdeiros do Sr. Odin Lopes de Araújo, os quais fizeram “concessões” de preço e de área aproveitável. Foram comprados 21 lotes de uma “Quadra A” e 15 de uma “Quadra B” (ao todo, 36 lotes), no Bairro Santa Julia.

Para que se atendesse a gente necessitada, de imediato, antes mesmo da construção da sede definitiva, o Sr. Laurindo conseguiu, junto à Federação Espírita Paraibana, autorização para usar uma de suas salas, onde se pudessem reunir as pessoas que receberiam assistência do LAR pela 3ª. faixa.

A primeira Distribuição de Gêneros e Benefícios foi realizada na referida sala em 21/10/72 (no Parque Solon de Lucena, nº. 65, naquela cidade). Supervisionou o trabalho a Sra. Ady, que contou com a colaboração do Sr. Laurindo,o qual,convidado, aceitou a responsabilidade de Coordenador da Unidade Assistencial. Cooperaram também o Eng. Ricardo e os voluntários Olinda, Belo, Déa Neiva de Araújo, Inês Patrício de Lima, Antonia Laudelino de Sena e Severina de O. - o Sr. Laurindo, entretanto, continuou seu trabalho na Casa Lins de Vasconcelos, agora com a ajuda do LFC.

Naquele dia houve uma cerimônia singela. Foram beneficiadas 13 famílias já inscritas nessa primeira Distribuição.
A Diretoria da UPI ficou composta pelo Sr. Laurindo (Coordenador), pelo Sr. João Batista Machado Alves (Secretário) e pela Sra. Gerusa Medeiros (Tesoureira).
Em 13/07/73 a UPI passou a funcionar em imóvel alugado, na Av. Lima Filho, 232.

Então, o LAR adquiriu um outro terreno, em 24/08/77, situado à Ladeira de S. Francisco, 363, na mesma cidade, o qual, reformado em 1978, veio a servir de sede provisória até 1987 (isto é, por 9 anos, sendo vendido algum tempo mais tarde). Enquanto isso, o primeiro terreno adquirido em João Pessoa ficava ao abandono: embora fossem 36 lotes excelentes, não se prestavam à finalidade para a qual o LAR os comprara, por situarem-se em área nobre da cidade, longe da zona residencial dos beneficiados por ele.

Aliás, grande parte desses assistidos morava mais perto de Bayeux, cidade próxima da Capital. Por esta razão, o LAR resolveu comprar mais outro terreno, desta vez em Bayeux, onde ergueria em definitivo a Unidade de Promoção Integral. Para pagar esta construção, firmou contrato com a Construtora Gradiente (que se encarregou da obra), prometendo dar-lhe em troca o primeiro terreno, adquirido em 72, no Bairro Santa Julia, de João Pessoa.

Desse modo, em 20/02/87, as novas instalações da UPI Odin de Araújo (Bayeux) foram inauguradas em presença de componentes da Diretoria do LFC, de representantes dos Governos Estadual e Municipal e de membros da comunidade.

RAZÃO DA ESCOLHA DO NOME

A intenção do LAR, escolhendo Odin de Araújo para Patrono de sua unidade no Estado da Paraíba, foi a um tempo agradecer à sua família pelo apoio, desde os primeiros tempos daquela UPI, e homenagear um brasileiro humanitário, dedicado à causa do bem-estar social em sua comunidade, lembrado pelos amigos pela sua lealdade e por todos os concidadãos em razão de sua honradez.

Sobre ele sabe-se o seguinte:
Nasceu em João Pessoa a 20/07/1921, filho de Magno Lopes de Albuquerque e de Adriana de Araújo Lopes. Estudou no Liceu Paraibano e na Escola Técnica de Comércio Epitácio Pessoa, pela qual tornou-se Técnico de Contabilidade em 1949. Em 1952 aconteceram-lhe dois fatos importantes casou-se, em 10/05, com Hilda Zaccara (com a qual viria a ter 2 filhos, Adriana e Antônio Guilherme); em dezembro, formou-se Bacharel em Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Econômicas da Paraíba (20/12/52).

Em 1961 (09/12), colou grau de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade da Paraíba, por querer servir melhor à sua cidade. De fato, como advogado, tornou-se ainda mais conhecido e estimado. A partir de 1965 exerceu o cargo de Procurador Geral da Sta. Casa de Misericórdia de João Pessoa, instituição beneficente pela qual muito trabalhou
Em 23/05/71 veio a falecer, reconhecido por todos como “um homem de bem”.

2 comentários »

Próxima Página »