A Betty que conheci…
Betty nasceu em Caçapava, São Paulo, nos
idos de 1929. Era filha de Philadelpho de Paula
Pinto e Maria Henriqueta Göppfert Pinto. A família
era formada pela própria Betty, a mais velha, Jorcy,
Joel, Nancy, Airy, Eli e Jani. Foram todos criados
dentro dos padrões amorosos, mas também rígidos
e austeros de Philadelpho, temperados pelo amor
carinhoso e a dedicação maternal superlativa de
Henriqueta, sempre jovial e alegre.
Religiosa, cristã nos atos e na palavra, tinha
na família exemplos de luta serena e sofrida, pois
no início do século passado foram seu pai e seus
tios que construíram, com suas próprias mãos, o
Centro Espírita Juliani, em Caçapava, numa época
em que o país tinha uma religião oficial e não se
admitia a existência de outras manifestações
religiosas. Betty viveu as vicissitudes dos
perseguidos, assistindo aos sofrimentos e angustias
de seus familiares na construção de seus ideais
religiosos. Um deles, Cirilo, foi perseguido e
internado em leprosário como forma de afastá-lo do
grupo ativista. Ainda assim, mantendo-se
escondido, em exílio voluntário, a obra foi concluída
e o Centro instalado e em funcionamento, com
frutos que persistem até hoje na região do Vale do
Paraíba. Daí herdaria uma pertinácia invulgar que a
iria ajudar a enfrentar as dificuldades …
Betty encarnaria as melhores características
de seus pais. Sempre exigente, cobrando muito de
si mesma, foi estudiosa e aplicada, vindo a formarse
no Rio de Janeiro, na Universidade Federal, na
área de Letras e Pedagogia e, posteriormente, em
Administração Escolar, pela Universidade Gama
Filho.
Se seus valores eram íntegros e buscava a
correção de atitudes, seu espírito era livre e aberto
às inovações e cultivava um primoroso interesse
pela Cultura e pela área de Educação de uma forma
geral. Seguindo esta atração natural, foi durante
anos funcionária do antigo Ministério da Educação.
Posteriormente teve, entre outros, papel relevante
no planejamento, instalação e gestão do Centro de
Ensino Eurípides Barsanulfo, no Méier, uma
tentativa de implantar no Rio de Janeiro um
educandário de qualidade, com excelentes
instalações físicas e orientação religiosa espírita.
Como profissional, era realizada.
Trazia de sua Caçapava, cidade que
sempre amou, os hábitos recatados e tímidos que a
caracterizavam. Apesar de gentil e educada com
todos, era difícil conquistar sua confiança e ser
admitido em sua intimidade, que muito resguardava.
Mas, uma vez conseguido isto, via-se surgir uma
personalidade forte com um expressar simples e
leve, a serviço de uma mente alegre, capaz de
raciocínios belos e profundos, temperados sempre
por seu bom humor. A alegria que lhe morava na
alma e a pureza de seus sentimentos mostravamse,
em seus momentos de descontração, fazendo-a
desabrochar em seu riso cascateante característico.
Tinha a alegria na alma.
Tinha também seriedade e sentido de
dever, daí a imagem de severa que passava a
muitos. Solteira, viu-se colocada diante do desafio
de acolher em sua intimidade um primeiro menino,
indefeso e carente e, enfrentando os preconceitos
da sociedade, de sua própria família e, sem perder
seus valores, até pelo contrário, graças à eles,
encontrou forças para ser mãe de muitos filhos
alheios, sem nunca os ter tido de seu próprio
sangue. Passaram por sua vida Manoel, Jorge
Damião, Eliezer, Jacirlândia, Rita, Roseni, Paulo
Sérgio, Carlos Cesar, Francisco, Jaime , Paulo,
Jorge, Sandra, Maria Helena, Marco Antonio, Luzia
e certamente outros que me faltam, pois a minha
memória é falha. Alguns ficaram por perto, já
adultos frequentaram sua casa, presentes em sua
vida até o fim e outros seguiram seus destinos,
alguns já na Espiritualidade. Dos netos falava
sempre com orgulho, sempre recebendo-os como a
avó que se sentia de fato.
Capítulo à parte foi escrito com os irmãos.
Irmã mais velha, sempre foi a confidente confiável, a
conselheira acessível mas severa e o socorro na
necessidade maior. Ao telefone ou indo
pessoalmente ao Estado de São Paulo, onde
morava a maioria dos irmãos, fazia-se presente, por
chamado ou “matando” a saudade, como dizia.
Agora foi-se! Quero lhe dizer Betty que
quem, como eu, assistiu a isto tudo de perto e
partilhou de alguns momentos decisivos, quem viu
os seus colegas da Obra de Fabiano presentes,
ouviu as palavras do Cesar, viu seus filhos do
coração e seus irmãos em nosso último encontro lá
em Sulacap, está consciente que uma grande alma
voltou ao seio do Pai.
Deixou a todos nós órfãos da mãe, da irmã,
da amiga ou simplesmente da colega, mas deixou
também um mundo melhor do que encontrou em
sua chegada, há 81 anos.
Voltou podendo dizer, DEVER CUMPRIDO!
Obrigado, Betty, muito obrigado! Vá em Paz!
Que Deus a abençoe!
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Uma resposta para “ A Betty que conheci… ”
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Maravilhosa a trajetória de BETTY. Ela veio cumprir uma belíssima e importante missão Divina. Agora, continua em sua jornada emanando muita luz a todos os necessitados, de acordo com a permissão do nosso Pai.